O que eu me lembrei dos anos 90, quando eu, na noite de Natal, à noite de Natal, eu passava assim. Da meia noite pra frente eu passava rezando em vigília com meu grupo de oração, mais antes das 17h00 em diante. Eu e meu grupo de oração a gente ia percorrendo a cidade todinha. Distribuindo panetone, chocolate, roupas, brinquedos que pra criança você não vai dar um terço a primeira vez você vai dar um brinquedo. Então eu dava brinquedo e escondido no brinquedo, colocava um tercinho, colocava uma coisinha de Nossa Senhora, brinquedos, sapatos, roupas pras crianças carentes, pras pessoas que passam necessidade, né? E eu me lembrei de que eu entrei. Acho que foi em 1996, eu acho, 95, não me lembro o ano direito. Eu lembro que eu estava distribuindo meu grupo de oração, estava comigo distribuindo aquilo pra todo mundo. As crianças voavam na gente pra pegar um brinquedo para a gente. Dava alimentos também, arroz, feijão, dava tudo o que tinha panetone. E eu levava também um pouco de comida feita, sopa ou um chocolate quente pra poder dar pra quem estava muito fraco desmaiando e não aguentava parar em pé. E eu encontrava muita gente assim e eu me lembro que tinha sobrado. Eu fui no mar, numa favela, num lugar bem pobrezinho, e eu me lembro que eu tinha distribuído pra todo mundo e tinha sobrado algumas coisas na Kombi que a gente estava e tinha uma, uma Saveiro também junto. E aí eu alguém não sei, falou pra mim Olha, as pessoas daquela casa ali não vieram e eu sei que eles passam necessidade, Vai lá.
Então eu fui lá, bati na porta, ninguém atendeu. Aí eu vi que a porta estava só encostada e eu abri a porta. Nisso que eu entrei, eu encontrei um monte de crianças assim, umas quatro ou cinco deitadas assim num colchonete no chão. A casa era era muito pobrezinha e a mãe estava sentada na mesa olhando pra geladeira que estava vazia. Não tinha nada pra não dizer que não tinha nada, nada. Tinha só um restinho de arroz num prato assim, mas só um pouquinho. E ela estava chorando. E aí ela se assustou comigo porque um estranho entrando na casa e aí eu me apresentei e falei que eu tinha levado coisas pra eles passarem o Natal, comida, brinquedos. E tinha algumas roupas também, né? E eu me lembro nitidamente que quando eu falei isso e mostrei o meu grupo de oração, foi entrando também com aquele monte de coisas. Eu me lembro que quando eu falei isso, ela caiu aos meus pés e ela gritou assim Abençoado de Deus, anjo de Deus, você não sabe, mas hoje eu falei pra Deus Não aguento mais ver os meus filhos passando fome. Eu deixei eles tudo deitado ali no colchonete porque não tinha mais nada pra dar pra eles. Eu falei pra Deus Deus, amanhã eu vou colocar veneno na comida dos meus filhos e eu também vou tomar, porque eu não aguento mais ver os meus filhos passando fome e eu não tenho nada pra dar pra eles.
E nisso você entrou trazendo tudo isso de comida pra nós. Agora não vou mais fazer isso. Então foram quatro vidas que eu salvei de uma vez só. Cinco Com a mãe. Que eu salvei de uma vez só levando comida e deixei o suficiente pra vários dias pra ela. Porque eu pensei não adianta deixar só um dia. E daí? O que ela vai fazer depois? Depois de amanhã? Depois do Natal, né? Então eu deixei pra vários dias. E se eu fosse rico na época, eu teria com certeza ajudado continuamente, né? Mas infelizmente eu não podia fazer isso. Então o que eu pude fazer, eu fiz. Deixei lá aquele monte de coisas pra elas. E sabe o que que também me emocionou muito? Foi uma criança, um dos filhos que falou pra mim que tinha pedido pro papai do céu e pra mamãe do céu que a mamãe do céu mandasse pra ela um doce de goiaba, goiabada. E no meio das coisas que eu levei, o que tinha? Um pote de doce de goiabada? E aí eu dei pra criança, a criança começou a chorar e falou Falou isso pra mim que tinha pedido pra mamãe do céu um doce de goiabada, que ela estava com vontade de comer e não tinha. E foi justamente o doce que eu levei pra eles na casa. Então olhem como Nossa Senhora! Ouve, cuida dos filhos, pensa em tudo.
E ali, naquele momento, não só naquelas pessoas que eu salvei ali, daquela casa da morte. Como também todas as outras pessoas para quem eu sempre levava comida, roupas, alimentos. Por que eu fazia isso? Porque eu via nelas Deus escondido, Jesus escondido. Eu lembro que uma vez, numa daquelas sextas feiras, toda sexta feira, eu saía pra dar comida, sopa, pão, leite para os pobrezinhos na rua, cobertor, agasalho, panetone, tudo o que eu podia. Às vezes também a gente limpava eles quando estavam muito sujos, a gente penteava o cabelo deles, fazia alguma coisa por eles, né? E eu me lembro que eu tinha ainda uma criança, um menininho que até já morreu. E ele E eu tinha falado que Jesus estava escondido nos nossos irmãos pobrezinhos, e a gente tinha que tratar eles como a gente trataria. Jesus! Eu estava lá cuidando de um pobrezinho na escola. Esse menino que estava junto comigo devia ter uns sete ou oito anos. Ele estava fuçando no cabelo do pobrezinho do mendigo que eu estava, que eu estava atendendo e fuçando dali, fuçando dali. Eu perguntei o nome dele era Eu não vou falar, mas eu chamava ele de Lu. Eu falei Lu, o que você está fazendo? Aí ele falou Tô procurando Jesus escondido, mas cadê ele? Eu não consigo ver. Eu falei Não, você não vê com os olhos, você vê e com o seu coração. Mas ele está aí. Você não vê com os olhos, mas Ele está aí.
Ah, ele está aí. Ah, então eu vou cuidar dele. Aí ele ficou. Jesus, deixa pentear seu cabelo. Falando pro pobre Jesus Agora deixa eu lavar sua mão. Jesus, toma essa colher de sopa. Sim, é isso mesmo. É assim mesmo que tem que fazer. Se todos nós tivermos esse amor, o mundo se transformará num mundo de amor, num paraíso de amor. E é isso que Nossa Senhora nos pede nas suas mensagens Bondade, amor. Claro que você não vai poder resolver os problemas do mundo inteiro, nem a Madre Tereza de Calcutá conseguiu resolver. Mas nem Deus te pede isso. Deus te pede que você ame o seu próximo e quem é o seu próximo? Uma vez eu perguntei para o meu grupo de oração Quem é seu próximo aí? Cada um que falava Ah, meu próximo é meu pai, a meu próximo e minha mãe, a meu próximo e meu irmão, a meu próximo e minha irmã. Falei tudo errado. Sabe quem é o próximo? Quem está do seu lado agora? Esse é seu próximo e é esse que você deve amar. Quem é o teu próximo no ponto de ônibus? Quem está ali do teu lado? Quem é teu próximo no teu trabalho? Quem está trabalhando do teu lado? Quem é o teu próximo quando você está na escola? Quem está sentado ao teu lado estudando? Quem é teu próximo na rua? E aquele que cruza com você no caminho? É a esse que você deve fazer o bem e a esse que você deve amar, não importa quem ele seja, como esteja.
Você deve amar, simplesmente amar, somente amar. E se nós fizermos isso no mundo, vai reinar a paz. Porque Nossa Senhora disse O que é a paz? A paz e o amai vos uns aos outros como eu vos amei. Quando todo mundo viver isso que Jesus ensinou, o mundo terá paz. Então, viver o amor e, é claro, amar a Deus sobre todas as coisas. Porque não adianta a gente ser bom com todo mundo e não ser bom com Deus e com Nossa Senhora e continuarmos ofendendo a Deus, fazendo o que Ele não gosta, não quer, magoando o coração Dele, magoando o coração de Nossa Senhora. Não adianta nada, senão a gente cai também naquele assistencialismo que se ensina hoje na Igreja e fora também nos meios de comunicação que todo mundo faz caridade, faz campanha pra ajudar crianças, deficientes e não sei o que lá. É gente carente, mas não tem fé, não ama Deus. Não tem fé, não ama. Deus, não ama Nossa Senhora. Não adianta nada. Isso não tem mérito diante de Deus. A caridade só tem mérito diante de Deus quando nós fazemos por Deus e por amor a Deus, por fé em Deus. Em nome de Deus, aí sim, tem mérito. Então, em primeiro lugar, amar a Deus e a Nossa Senhora. Não adianta ser bom com todo mundo e não ser bom com ele.

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